Aproveitando o ouro pré-colombiano: o caso de Tomás Herrán e do Smithsonian nos teatros da construção nacional e da cultura global
Palavras-chave:
Ouro pré-colombiano, Tomás Herrán, Smithsonian, construção nacional, cultura global.Resumo
Os artefatos de ouro pré-colombianos da atual Colômbia foram descontextualizados e recontextualizados de maneiras notáveis. Por um lado, foram despojados de seu conteúdo arqueológico e significado sociocultural devido a práticas ilícitas de escavação (roubo de túmulos) e ao colonialismo. Por outro lado, foram utilizados para construir uma narrativa nacional e também para fundamentar discursos sobre patrimônio global e cultura mundial. Esses fatores moldaram as ações de Tomás Herrán (1843–1904), um oligarca colombiano do século XIX que facilitou a aquisição, pela Smithsonian Institution, de uma coleção de artefatos de ouro pré-colombianos no início da década de 1890. Herrán estudou na Universidade de Georgetown e, em 1902, como encarregado de negócios nos Estados Unidos, negociou o primeiro tratado do Canal do Panamá, o Tratado Hay-Herrán de 1903. Este artigo examina aspectos da relação de Herrán com o Smithsonian à luz de seu trabalho diplomático subsequente e da emergência de artefatos de ouro pré-colombianos no cenário nacional e internacional. Questiono se esses artefatos carismáticos poderiam ser recontextualizados pelos processos de reapropriação indígena na Colômbia.
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Archivos consultados
United States National Museum Memorandum, Smithsonian Institution
1891 Abril 28
1892 Febrero 11
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1891 Número de registro 23661
1892 Número de registro 24547
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