Arte Popular Mexicana. Genealogia de uma categoria política

Autores

Palavras-chave:

Arte popular mexicana, nacionalismo, colonialidade, patrimônio cultural.

Resumo

A arte popular mexicana não é uma categoria neutra; trata-se de um conceito político que articula identidade, poder e economia. Desde a “Exposição de artes populares” de 1921, organizada por Dr. Atl, Roberto Montenegro e Jorge Enciso, até a atualidade o Estado mexicano — em conjunto com instituições privadas e acadêmicas — tem utilizado essa noção para integrar as expressões indígenas na narrativa nacional. No entanto, essas produções têm estado historicamente subordinadas a hierarquias coloniais e raciais, situando-as em uma zona difusa entre “arte” e “artesanato”. Uma análise genealógica do conceito permite identificar períodos-chave (1921-2023) nos quais ele foi instrumentalizado sob determinadas lógicas discursivas geradas por museus, políticas culturais, programas de apoio e dinâmicas de mercado. Essa análise evidencia a tensão entre a valorização nacionalista e a exploração econômica das comunidades produtoras. Eventos recentes, como “Original” (2021) e a Lei Federal de Proteção do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Indígenas e Afro-mexicanas (2022), buscam reformular essas categorias, ainda que o problema do racismo cultural persista. Proponho explorar a categoria de arte popular mexicana como um dispositivo estratégico marcado por disputas coloniais, raciais e econômicas. Destaco o caráter conflitivo da arte popular no México, a partir do qual é possível questionar os usos atuais dessa noção e sua complexa relação com o Estado, o mercado e as instituições.

.

Biografia do Autor

Maai Ortiz, Universidade Autônoma Metropolitana do México (UAM-X)

Ele possui doutorado em Ciências Humanas com especialização em Estudos Culturais e Crítica Pós-Colonial (UAM X), mestrado em Comunicação e Política (UAM-X) e bacharelado em Arte e Patrimônio Cultural com especialização em Gestão Cultural (UACM), ambos no México. Concluiu também diplomas em Mediação Cultural (CLACSO), Gestão do Patrimônio Cultural (UACM), História, Pensamento e Questões Contemporâneas na América Latina (UACM-CAMeNA) e Teoria e Prática de Organizações Civis que Atuam com Dissidência Sexual e HIV/AIDS no México (também pela UACM). Atualmente, coordena o Fórum Cultural Somos Voces e é membro da Rede Multidisciplinar de Pesquisa sobre Discriminação na Cidade do México, bem como da Rede de Informação e Discussão sobre Arqueologia e Patrimônio (RIDAP). Lecionou na UACM, na YMCA e na UNAM. Sua pesquisa concentra-se em patrimônio, museus, políticas culturais, gestão cultural e diversidade sexual.

Referências

Acha, Juan (1994). Las culturas estéticas de América Latina. UNAM.

Aguilar, Yásnaya (2022). ¿Arte? ¿Indígena? Estéticas colectivas y pueblos indígenas. En Arte de los pueblos de México. Disrupciones indígenas (pp. 241-252). Museo del Palacio de Bellas Artes-Secretaría de Cultura-INBAL-Fundación Jenkins.

Bhabha, Homi (2000). Narrando la nación. En Álvaro Fernández (editor), La invención de la nación. Lecturas de la identidad de Herder a Homi Bhabha (pp 212-219). Manantial.

Bonfil, Guillermo (1997). Nuestro patrimonio cultural: un laberinto de significados. En E. Florescano (Coord.), El patrimonio nacional de México (pp. 28-56). Fondo de Cultura Económi¬ca-CONACULTA.

Comaroff, John y Comaroff, Jean (2011). Etnicidad S. A. Katz.

Fernández, Justino (1954). Coatlicue: Estética del arte indígena antiguo. Centro de Estudios Filo¬sóficos, Universidad Nacional Autónoma de México.

Foucault, Michel (2006). Seguridad, territorio, población. Fondo de Cultura Económica.

Fomento Cultural Banamex, A. C. (1996). Grandes maestros del arte popular mexicano. Fomento Cultural Banamex, A. C.

Gamio, Manuel (1916). Forjando patria. Porrúa.

Gnecco, Cristóbal (2019). El señuelo patrimonial. Pensamientos post-arqueológicos en el camino de los incas. En Pedro María Argüello García (Ed.), Diálogos en patrimonio cultural Nro 2. (pp. 13-48). Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia.

Goldman, Shifra (2008). Perspectivas artísticas del Continente Americano. Arte y cambio social en América Latina y Estados Unidos en el siglo XX. UACM-INBA-CENIDIAP-CENART.

Monsivás, Carlos (2019). La cultura mexicana en el siglo XX. COLMEX.

Murillo, Gerardo (Dr. Atl). (1922). Las artes populares en México (2 vols.). Dirección de Talleres Gráficos de la Nación.

Novelo, Victoria (2007). (Comp.) Artesanos, artesanías y arte popular de México. Una historia ilustrada. Dirección General de Culturas Populares - CONACULTA.

Restrepo, Eduardo (2010). Inflexión decolonial: fuentes, categorías y cuestionamientos. Editorial Universidad del Cauca.

Turok, Marta (1988). Cómo acercarse a la artesanía. Plaza y Valdés / CONACULTA.

Velázquez, Mireida (2022). Exhibir el arte popular mexicano. En Arte de los Pueblos de México. Disrupciones Indígenas. Museo del Palacio de Bellas Artes. Edit. Secretaría de Cultura, INBAL y Fundación Jenkins.

Leyes y documentos citados

Ley Federal sobre Monumentos y Zonas Arqueológicos, Artísticos e Históricos (1972). Publi¬cada en el Diario Oficial de la Federación, el 6 de mayo de 1972. https://www.diputados.gob. mx/LeyesBiblio/ref/lfmzaah/LFMZAAH_orig_06may72_ima.pdf

Ley Federal para el fomento de la Microindustria y la actividad artesanal (1988). Publicada en el Diario Oficial de la Federación, el 26 de enero de 1988. https://www.diputados.gob. mx/LeyesBiblio/ref/lffmaa/LFFMAA_orig_26ene88_ima.pdf

Ley Federal de Protección del Patrimonio Cultural de los Pueblos y Comunidades Indígenas y Afromexicanas (2022). Publicada en el Diario Oficial de la Federación el 17 de enero de 2022. https://www.diputados.gob.mx/LeyesBiblio/pdf/LFPPCPCIA.pdf

Publicado

2026-01-31

Como Citar

Ortiz, M. (2026). Arte Popular Mexicana. Genealogia de uma categoria política. Memorias Disidentes. Revista De Estudios críticos Del Patrimonio, Archivos Y Memorias, 3(5), 56–82. Recuperado de https://ojs.unsj.edu.ar/index.php/Mdis/article/view/1435