As pós-vidas de um gado crioulo: memórias e patrimȏnio multiespécie no sul do Brasil
Palavras-chave:
raça crioula lageana, memória multiespécie, patrimônio multiespécie, BrasilResumo
O artigo investiga as pós-vidas do gado da raça crioula lageana no sul do Brasil e propõe pensar a memória como persistência relacional multiespécie e não como mera narrativa humana sobre os animais. Com base em etnografia interdisciplinar e multissituada, conduzida conjuntamente por uma antropóloga e uma etóloga, descrevemos como a pós-vida do gado se materializa, entre outros dispositivos, no trabalho artístico que transforma crânios de vacas e touros em peças que prolongam presenças e responsabilidades. A partir desse caso propomos articular memória multiespécie e patrimônio multiespécie como ferramenta analítica e política para compreender o que se perde quando raças locais se tornam inviáveis, mesmo quando seu material genético é preservado ex situ. Sustentamos que memória e patrimônio não podem ser reduzidos a narrativas humanas, recursos genéticos ou tradições congeladas mas remetem a coletivos em transformação compostos por territórios, saberes, paisagens e condições institucionais que tornam possível a continuidade de mundos compartilhados.
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