Uma botȃnica de conquista: folhas e nervaduras no arquivo vivo
Palavras-chave:
biopoder vegetal, testemunha modesta, disparidade vegetal, epistemicídioResumo
Seguir o pulso das nervuras implica desandar o relato da Expedição ao Rio Negro (1879) para encontrar, entre espécimes prensados e diários militares, os fios de uma violência que foi tanto territorial quanto epistêmica. Este trabalho explora o labor dos naturalistas Paul Lorentz e Gustav Niederlein não como testemunhas modestas de uma natureza inerte, mas como agentes de uma “anticonquista” que, sob o véu da ciência objetiva, sistematizou o despojo. Mediante a noção de disparidade vegetal (plant awareness disparity) sublinho a cegueira que reduziu a flora a um fundo passivo, ocultando o epistemicídio dos saberes indígenas. Finalmente, propõnho vegetalizar o museu: transformar o arquivo botânico —essa matéria biodegradável feita de papel e tempo— em uma interface viva que aprenda com os ritmos metabólicos das plantas para liberar memórias e futuros que a historiografia oficial pretendeu dessecar.
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