Insetos spiões. Conversas noturnas na Comunidade de Guacamayo – Rio Caquetá

Autores

Palavras-chave:

Amazônia, povo Muinane, insetos espiões, epistemologias indigenas

Resumo

Este texto expõe um vínculo com uma dupla memória: primeiro, a memória dos indígenas Muinane sobre as relações com os insetos que visitam, durante a noite, o interior de suas malocas e mambeaderos, presenças interpretadas como uma intromissão animal externa na vida humana, como o cumprimento de tarefas de espionagem. Segundo, a memória do líder Muinane Aurélio Suárez (Ñuñamideeko; flor de chontilla, em língua Muinane) e suas palavras compartilhadas em forma de conversa noturna em sua antiga maloca de Araracuara, Caquetá. A espionagem entomológica será abordada a partir de duas perspectivas contrapostas. Por um lado, osinsetos robôs com os quais os delírios tecnológicos pretendem substituir a extinção de insetos polinizadores e que também são usados para tarefas de espionagem e vigilância em cenários de guerra. Aqui, assume-se a depredação capitalista dos recursos finitos da terra como um fato inevitável, com a ciência e a tecnologia a serviço dos centros militares e econômicos de poder global. Por outro lado, a concepção Muinane de insetos espiões que se infiltram nos espaços noturnos humanos e que acabam por dar forma a relações marcadas por receios mútuos, prevenção e cuidado, definindo, assim, interações específicas entre seres vivos em um lugar específico do planeta. Esta leitura indígena dos insetos coloca a descoberto os atributos culturais de uma consciência humana que se define nas relações e encontros com outros seres.

Biografia do Autor

Marco Tobón, Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

É graduado em Antropologia pela Universidade de Caldas, Colômbia (2005), e mestre em Estudos Amazônicos pela Universidade Nacional da Colômbia, Campus Amazônia (2008). Obteve seu doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (2016). Atualmente, é professor e pesquisador na Faculdade de Pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), vinculado ao Departamento de Educação, Saber, Linguagem e Arte (Delart). É membro do Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação (LABORARTE) da Faculdade de Pedagogia/UNICAMP. É autor da coletânea de contos etnográficos "Azul Verde" (2024, JaraVela Editores) e de uma biografia do internacionalista basco Pedro Baigorri (2017, Txalaparta). Ela possui experiência na área da antropologia, com ênfase na Amazônia, trabalhando principalmente com os seguintes temas: etnografia da violência, memória e fronteiras, etnologia e antropologia do conflito armado, direitos das vítimas, formas de ação coletiva e lutas pelos bens comuns, etnografia dos sonhos, estudos sobre humor, gráficos e imagens.

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Publicado

2026-09-26

Como Citar

Tobón, M. (2026). Insetos spiões. Conversas noturnas na Comunidade de Guacamayo – Rio Caquetá. Memorias Disidentes. Revista De Estudios críticos Del Patrimonio, Archivos Y Memorias, 3(6), 21–33. Recuperado de https://ojs.unsj.edu.ar/index.php/Mdis/article/view/1507