Insetos spiões. Conversas noturnas na Comunidade de Guacamayo – Rio Caquetá
Palavras-chave:
Amazônia, povo Muinane, insetos espiões, epistemologias indigenasResumo
Este texto expõe um vínculo com uma dupla memória: primeiro, a memória dos indígenas Muinane sobre as relações com os insetos que visitam, durante a noite, o interior de suas malocas e mambeaderos, presenças interpretadas como uma intromissão animal externa na vida humana, como o cumprimento de tarefas de espionagem. Segundo, a memória do líder Muinane Aurélio Suárez (Ñuñamideeko; flor de chontilla, em língua Muinane) e suas palavras compartilhadas em forma de conversa noturna em sua antiga maloca de Araracuara, Caquetá. A espionagem entomológica será abordada a partir de duas perspectivas contrapostas. Por um lado, osinsetos robôs com os quais os delírios tecnológicos pretendem substituir a extinção de insetos polinizadores e que também são usados para tarefas de espionagem e vigilância em cenários de guerra. Aqui, assume-se a depredação capitalista dos recursos finitos da terra como um fato inevitável, com a ciência e a tecnologia a serviço dos centros militares e econômicos de poder global. Por outro lado, a concepção Muinane de insetos espiões que se infiltram nos espaços noturnos humanos e que acabam por dar forma a relações marcadas por receios mútuos, prevenção e cuidado, definindo, assim, interações específicas entre seres vivos em um lugar específico do planeta. Esta leitura indígena dos insetos coloca a descoberto os atributos culturais de uma consciência humana que se define nas relações e encontros com outros seres.
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