Sopros, latidos e sussurros: a preparaçȃo de cães de caça entre o povo Galibi Marworno
Palavras-chave:
cães de caça, familiarização de cachorros, memória indígena, povo Galibi MarwornoResumo
A história do uso e incorporação de cachorros nas sociedades indígenas do presente é marcada por muitas controvérsias, desde uma presumida origem pré-colombiana, encontrada em documentos de navegadores de época que coincidem com narrativas indígenas, até a hipótese de não existência de cães domesticados em posse de caçadores ameríndios, antes que se estabelecessem redes de escambo que os permitissem adquiri-los dos colonizadores. Desta maneira, o presente artigo consiste na interlocução entre intelectuais indígenas e não indígenas, diante de memórias e narrativas sobre a origem e o desenvolvimento das relações entre humanos e cães no recôndito amazônico em que se reterritorializou o povo Galibi Marworno, da atual fronteira franco-brasileira, situada no município de Oiapoque/Amapá. Para tanto, recorre-se a práticas mnemônicas e pictográficas de pesquisadores ameríndios, que possibilitam o conhecimento, a documentação e a tradução do que pode ser considerada uma versão originária da inauguração da relação entre humanos e cães no Baixo rio Oiapoque. As técnicas, os sopros e os latidos oriundos da memória indígena são sobrepostos a outras camadas de experiência etnográfica, possibilitando um diálogo intercultural e pluriepistêmico que enseja uma versão etnicamente referenciada de parte da história ecológica e ambiental da Amazônia guianense.
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